quinta-feira, 31 de maio de 2018


ENTREVISTA IMAGINÁRIA COM DONALD TRUMP, PRESIDENTE DOS EUA, KIN JONG-UN, DITADOR DA CORÉIA DO NORTE, MODERADOR MOON JAE-IN, PRESIDENTE DA COREIA DO SUL — ENTREVISTADOR O BLOGMASTER DE CAMINHO DAS LETRAS.


Em dia previamente marcado, em Singapura, campo neutro, o escritor Murilo Moreira Veras, máster do blog Caminho das Letras, entrevista o  Presidente Trump, o Ditador Kin Jong-Un da Coreia do Norte e Moon Jae-In, Presidente da Coreia do Sul, como moderador no encontro.
Caminho das Letras – Pergunto aos dois líderes, que ora se encontram, o que esperam desse encontro?
DT – Como presidente dos Estados Unidos, espero que o sr. Kim Jong-Un se comprometa a baixar a guarda em suas ações de governo e realize a  desnuclearização, para o que nos propomos contribuir com o que nos for possível em termos de negociação.
KJ – De minha parte, espero que o sr. Trump atenda nossa reinvindicação de suspender, em troca, as sanções que nos são impostas pelos Estados Unidos e pela ONU, fazendo as concessões que forem possíveis no momento.
CL – Pergunto ao Presidente Trump. O que o sr. pretende,  finalmente, com essa ação de conciliar-se com a Coreia do Norte, depois de haver ameaçado o sr. Kin Jong-Un quando veio à mídia dizer que poderia até fazer desaparecer do mapa a Coreia do Norte, se o sr. Kim ousasse lançar mísseis aos aliados dos Estados Unidos e a qualquer região do território americano?
DT – Se eu fiz essa ameaça à Coreia do Norte, foi para fazer ver que nós não aceitamos essa espécie de desafio, mas como acredito que as palavras do sr. Kin não podiam ser realizadas, reconheço que a melhor forma de nos entendermos doravante,  e não há outra, senão o diálogo, a mesa de negociação.
CL – E o sr. Kin Jong-Un, o que o fez reconsiderar suas ações impulsivas de ameaçar uma nação poderosa como os Estados Unidos, desafiando até mesmo o mundo todo com seus mísseis com ogivas nucleares, sabendo que isso poderia atingir negativamente o equilíbrio do mundo, já ameaçado por outros distúrbios em outras regiões?
KJ – Nós somos uma nação ainda em construção, com pouco território e a minha decisão visou proteger nosso povo e, assim, robustecer a nação contra alguma agressão. Portanto, nosso objetivo é termos voz   no consenso geral das nações, sermos respeitados como somos.
CL – Sr. Trump, por que suas ações às vezes têm se tornado inconveniente no plano internacional e não apresentando complacência, no sentido de atender a demanda de interesses das nações, como, por exemplo,  a recente decisão sua de suspender o Acordo Nuclear, já mantido por Barak Obama com o Irã — isso não influencia negativamente  o equilíbrio internacional, causando  tensão a qualquer negociação com a Coreia do Norte, como a que pretende neste momento?
DT – Em meu governo sempre adoto ações da linha-dura, porque é a condizente para a ocasião, isto é, proteger os Estados Unidos contra os que querem derrotar-nos, mas não quero dizer que não temos senso e razão suficientes para aceitar as contraditas de outras nações. Além disso, temos sempre agido visando o equilíbrio entre os povos, respeitando seus valores, mas o que não admitimos — e por isso somos  linha-dura – é vermos nossa pátria ser ameaçada por criminosos, terroristas e também assistir, calados, outras nações sofrerem bombardeios matando inocentes, como é o caso da guerra na Síria, na qual interferimos ostensivamente para evitar catástrofe maior e, com isto, enfraquecer cada vez mais o terrorismo no mundo. Ao contrário do desequilíbrio, estamos contribuindo para a paz, defendendo nosso domínio, também a nível internacional. Afinal de contas, a melhor defesa é o ataque.
CL – Sr. Kin Jong-Un,  como o sr. tem contribuído para a paz mundial, se suas ações, embora de algum modo tenham justificativa, como o sr. declara, são sempre ameaçadoras, até mesmo contra sua própria intenção de valorizar o País, na verdade muito pobre cujo povo tem se tornado cada vez mais desafortunado em termos de progresso, educação e cultura, ainda incapaz de se nivelar aos das nações mais desenvolvidas. Tal atitude de sua parte não seria uma incongruência?
KJ – Não sou tão ameaçador, como faz crer a imprensa e as instituições como a ONU, como disse o sr. Trump, agimos para proteger nossas fronteiras e o que queremos é ter voz garantida no fôro mundial. Somos ainda um povo pobre, mas temos grande senso nacionalista, o que nos torna forte. A prova disso é que acabamos de fazer amizade com nossa vizinha Coreia do Sul, o que fizemos a partir dos recentes jogos olímpicos, oportunidade que aproveitamos para estreitar laços com o sr. Moon Jae-In, Presidente daquele País, aqui presente.
CL – O que nosso Moderador, sr. Moon Jae-In, acha dessas declarações iniciais de nossos dois entrevistados, há perspectivas reais de serem encontradas soluções plausíveis, para tão tensas opiniões, como vimos, discordantes, mas que até certo ponto  se  harmonizam em determinados aspectos, como a aplicação da chamada linha-dura adotada pelos dois?
MJ – Vejo, boas perspectivas, sim, as ideias são livres, os debates de ambos perfeitamente válidos. O sr. Trump procura colocar sua posição e tem boa vontade até mesmo por seu porte educado. O sr. Kin, também dentro de suas limitações, mas interessado no sentido de vislumbrar um consenso entre os dois. Com a boa vontade de ambos, poderemos chegar a bom termo, através de um equilíbrio de ações e interesses. De minha parte, dou todo  apoio a ambos.
CL – Agora interrogo diretamente o sr. Kin: qual sua visão do mundo, à vista do cenário de transgressão e desencontros de interesses que grassam entre os povos, as nações e as pessoas, em face, inclusive, dos atentados terroristas às cidades —  por que os seres humanos não encontram o estado de equilíbrio, o bom senso e o sentido de união, solidariedade e paz entre seus pares? O que, na sua visão, precisaria ser feito, que filosofia ou política a ser seguida, que substituiria, por exemplo, o totalitarismo que suprime a liberdade das pessoas?
KJ – Como já disse, somos um povo que seguimos nossa cultura milenar, nossos interesses talvez venham a conflitar com os dos ocidentais, por exemplo os religiosos. Acredito que a paz mundial deva ser encontrada, mas dentro das limitações. A chamada democracia ocidental não nos parece o regime adequado para nossa cultura, por enquanto preferimos o governo centralizador, um preceito e uma ordem que legamos de nossos Pais e antepassados. Fico com minha visão de paz limitada a cada situação, na medida do interesse possível de cada nação. Não somos um povo movido pela ilusão, mas pela realidade, isso que os filósofos ocidentais chamam de pragmatismo.
CL – E o sr. Presidente Trump, qual sua visão, o sr. adere a esse pragmatismo, o que o sr. Pensa de um mundo cujas nações pretendessem desenvolver atitudes mais solidárias e cosmopolitas e não contribuíssem na geração da violência, do desamor, ao contrário, propusessem uma humanidade mais pacífica, inclusive quanto ao fortalecimento da democracia e não do   totalitarismo?
DT – Discordo um pouco da visão pragmática do sr. Kin, mas acredito que esse seja o regime mais adequado à cultura e religião de seu País, o exercício da democracia talvez não tenha ainda raízes formadas ali e não iremos  nos contrapor a isto. O regime democrático, a meu ver, ainda é a melhor forma de governo, pois prezamos, antes de mais nada, a liberdade. Posso afirmar que a democracia ainda atende nossos princípios de religiosidade, já que somos cristãos. Quanto à questão de uma paz a ser alcançada pelas nações, penso que os seres humanos ainda terão muito que aprender para que se chegue a esse ponto máximo da humanidade. Guerras e governos totalitários ainda vão existir. Paz e liberdade irrestritas ainda nos parece de certo modo uma utopia, mas vamos contribuir para que esses valores sejam alcançados, visto que até grandes vultos religiosos aceitam o princípio da guerra justa .
CL – Convido nossos entrevistados e nosso moderador, que opinem sobre os seguintes temas, na qualidade de Chefes de Estado, o que os torna copartícipes na atual geopolítica internacional:
a)   – Globalização e a Nova Ordem Mundial
b)   – Tecnologia e seu progresso inevitável
c)    – O poder da Mídia
d)   – Terrorismo

DT – Quanto à globalização não temos nada contra, em face do avanço desmedido da comunicação, mas desconfiamos muito desse ideal de que todas as nações devam submeter-se a um projeto global, o que quer dizer sob um só domínio. Penso que fere nosso sentimento nacionalista. Sobre a tecnologia trata-se da evolução normal da capacidade humana, contanto que seja controlada e que não nos tornemos, no futuro, escravo da técnica, dominados por seus muitas vezes tirânicos projetos. A Mídia é o exercício da comunicação, a maneira mais fiel de nos fazermos entender, da qual muito faço uso. Já o terrorismo, este é uma praga que deve ser extirpada da sociedade.  

KJ Nossa cultura, como já fiz ver, nós a herdamos de nossos antepassados. Globalização, para nós, entendemos apenas como espécie de parceria limitada com outras nações e não abertura global, porque achamos isso prejudicial para nós. Tecnologia é um tema que nos interessa, para nos ajudar a progredir e aceitar os avanços tecnológicos, de acordo com as nossas necessidades. O mesmo acontecendo para a Mídia, no meu entender, deve ser sempre controlada. Já o terrorismo, digo que, em nosso País, por enquanto, não temos nenhuma ocorrência, se houver, agiremos com força total.

MJ – Na Coréia do Sul estamos em consonância com todos os projetos da modernidade, desde que condizentes com nossa cultura, incluindo, portanto, a globalização como meio progressista. Comungamos com o mesmo receio dos Estados Unidos quanto à teoria de composição da chamada Nova Ordem  Mundial, pois  ela pode prejudicar nossos interesses. A comunicação também é importante para nós, desde que padronizada à nossa cultura e maneira de ser. Detestamos qualquer ação terrorista, que deve ser combatida com denodo por todos.

CL – Sr. Trump, considerando a premissa de que eruditos do passado, como Edward Gibbons (1737-94) e Max Weber (1864-1920), ambos preconizaram que todas as civilizações têm vida efêmera, enquanto Niccolo Maquiavel (1469-1527), ao contrário, aconselhava aos reis e príncipes a agirem em seus domínios com malícia e extrema habilidade para não perderem seu poder— qual sua visão de futuro para o mundo, ou seja, a civilização construída pela humanidade, tendo em vista os conflitos por ela gerados?

DT – Acredito que, com força de vontade dos governantes e eficiência nos atos que praticar visando a melhoria dos cidadãos, nossa civilização pode obter ganhos muito significativos em termos de progresso  e  bem-estar, portanto não somos de modo algum pessimista como foram esses famosos eruditos, é claro que desaprovo ações maliciosas na política, prefiro realizá-las com eficiência e que obtenham resultados positivos.

CL – Sr. Moon Jae-In, e A Coréia do Sul qual seu papel nessa equação mundial, no sentido de harmonizar os interesses do Estados Unidos, da qual seu País é parceiro atual, com as reinvindicações da Coreia do Norte, o protecionismo financeiro e cultural da União Europeia, sem desagradar as demais potências emergentes, como a Rússia, a China e o Irã?

MJ – Somos um País conciliador, aproveitamos a oportunidade dos jogos olímpicos para nos reconciliar com a Coreia do Norte. O nosso papel nesse novo cenário é de fortalecer nossa amizade com todos os Países. Nesse momento importante de troca de confiança entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte, servimos de moderador.

CL – Para terminar, convido nossos entrevistados a registrarem suas considerações finais em nosso blog Caminho das Letras, como gesto de boa vontade das partes –  contribuição positiva aos nossos pósteros.

DT –  Espero que esse nosso encontro dê frutos e assim os Estados Unidos possam conciliar seus interesses com os da Coreia do Norte, na pessoa do sr. Kim Jong-Un. Portanto, vamos continuar dialogando.

KJ   Agradeço a boa vontade do sr. Trump que mostrou nesse nosso primeiro encontro. Doravante, estou aberto a negociações, desde que os frutos atendam a ambas as nações, de forma justa e sem prejuízos. Nossas diferenças poderão ser acertadas aos poucos, à medida que as circunstâncias permitirem. Estamos abertos ao diálogo.

MJEstou bastante otimista pelo relativo sucesso desse encontro memorável, agradecendo ao blogmaster do Caminho das Letras  pela participação como moderador nessa entrevista.

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A entrevista acima não passa de um devaneio literário e ficcional do autor, na esperança de que se torne realidade, fruto de um possível encontro a ocorrer entre dois Chefes de Estado, sob o olhar benevolente de um terceiro interessado.
                                                                                                                 Bsb, 01.06.18




segunda-feira, 21 de maio de 2018





O LEGADO DE D. PEDRO II EM PERSPECTIVA










Praticamente às portas das eleições, o retrato do País não apresenta situação das mais auspiciosas, no consenso internacional. Claro que há países em pior estado, dispensável até mencionar quais, por óbvio. Em termos geopolíticos, o mundo parece se equilibrar em corda bamba, com vicissitudes em toda parte, mas com certo grau de suportabilidade.
E nosso País, ousará vencer suas diferenças educacionais, econômicas, políticas, enfim acertar os passos e alinhar-se entre os desenvolvidos, sobretudo sair do atraso devido a corrupções endêmicas, que desmoralizam nossas instituições, a corroer-lhes os alicerces?
Se tivermos a curiosidade de auscultarmos nossa história, mesmo a oficial, teremos a surpresa de verificar que o Brasil, no passado não muito remoto, já viveu tempos de “prosperidade e progresso” — e acreditem se quiserem — não foi na República, essa vigente desde 1889, proclamada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, mas, sim, no Império. Sim, no suposto “Velho Império”, aquele que o espírito modernista revolucionário chamava de ultrapassado e que ousaram derrubar em 1888, substituindo-o pela decantada, mas praticamente inócua República dos positivistas maçons.
E sabem a quem se atribuía esse extenso período de prosperidade e progresso, espécie de “idade do ouro” do Brasil? Nada menos que sob o governo de D.Pedro II, o Imperador do Brasil, que administrou o País de 1831 a 1889, sua gestão iniciada quando tinha apenas 14 anos de idade. Foi drasticamente deposto naquela última data por militares republicanos, insatisfeitos com o regime, apesar do grande prestígio do Imperador junto ao povo. Era um governante modesto, benevolente, mas culto e diligenciador, preocupado com o bem-estar do povo. Com o tempo e em virtude da grande injustiça de que foi vítima, sua expulsão e de sua família em 1889, obrigando-os a se exilarem na França, passou a ser considerado o maior brasileiro de nossa história, verdadeiro símbolo nacional.
O próprio Rui Barbosa — por sinal um dos que apoiou o banimento do Império — em discurso no Senado, em 1914, assim se referiu ao doloroso affaire: “A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal de nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo o nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.”
Por sua vez, a historiadora Lília Moritz Schwarcz revela que ele, o Imperador Pedro II, transformou-se num mito. José Murilo de Carvalho, historiador pernambucano validou a notável figura do Imperador: “... pela longevidade de seu governo e as transformações ao longo de seu curso, nenhum outro chefe de Estado marcou mais profundamente a história da nação.”
Enquanto isto, a República positiva dos militares maçônicos, sob o tacão inglês, com seu apanágio de reformismo e progresso, desde os primeiros passos que arrebataram o poder do tirocínio do velho, mas erudito Imperador, erodiram a nação com medidas atabalhoadas, ao longo do tempo a República desvalorizada pela maioria da população, menos pelo crédito dado a democracia nascente e mais pela impopularidade de seus discípulos tributários. Certamente pelos desacertos e o demérito de quantos sucederam o Marechal Deodoro da Fonseca, que nunca conseguiu superar a traição cometida contra o amigo de infância e escola Pedro II.
Indagamos hoje. A que se atribuem os contínuos desacertos, os imbróglios sócioeconômicos, e demais ineficácias dos governos republicanos brasileiros na consecução do progresso e na melhoria do bem-estar do povo?
Por que os brasileiros somos um povo incrédulo politicamente, nossa moral é tão baixa, descremos tanto da política quanto da justiça e das instituições, ainda frágeis, a burocracia nos prejudicando a vida? Chegamos a descrer até de nossa capacidade de ser livres e independentes.
Por que somos desrespeitosos para com nossos ícones históricos, descuramos de nossos deveres, enquanto paradoxalmente nos rejubilamos de sermos pessoas cordiais naquela perspectiva do homem cordial  de Sérgio Buarque de Holanda, constante do livro Raízes do Brasil de 1936? Não seria o chamado “jeitinho brasileiro” , aquela atitude de o brasileiro olhar as coisas, sair-se bem em tudo, sempre querendo burlar o outro? Isso que fez o Presidente Barack Obama chamar o então presidente Lula, em visita aos States de: “You are the Guy!” – você é o cara! Na gíria americana, o safado, o cafajeste.
Por que o brasileiro é assim, supostamente cordial até para com sua Mãe-Pátria? Com a devida vênia é porque falta ao brasileiro um valor a que respeitar, um governo consciente, não tem um ícone, um brasão, uma figura na qual deposite sua fé pública, um símbolo inconteste de sua Pátria. Por isso, o brasileiro é uma pessoa errática, sem fé, principalmente com relação à coisa pública, à cidadania, moral e caráter suscetíveis ao erro.
Por esses dias assistimos ao show de virtuosidade que foi o casamento real do casal Harry e Meghan, o fervor com que o povo acolhia o cerimonial com toda sua pompa — fato muito diferente de nosso carnaval. Então nos lembramos de quanto nos faz falta uma realeza, um valor acima de nossas frivolidades cartoriais. Sim, falta-nos uma figura icônica, a de um Rei, uma Rainha como Elizabete II ou um Imperador como D. Pedro II. Vêm-nos à baila os 60 anos de prosperidade e progresso de nosso velho ícone nacional D. Pedro II.
Será que, sob o signo de um reinado ou império não estaríamos livres dos horrores que hoje protagonizamos no País? É a pergunta que não nos deixa calar.  
                                                                  Bsb, 22.05.18





quarta-feira, 25 de abril de 2018




O MUNDO ATUAL E O QUE SERÁ DEPOIS












         
Em 1964, o escritor e padre João Mohana publicou O Mundo e Eu , em cujo livro ele apresenta sua visão do mundo à época, com críticas ácidas, sob a perspectiva da fé católica. Hoje, decorridos 54 anos — o autor de há muito falecido — os desacertos da nossa civilização continuam os mesmos, parece até que reforçados com o passar do tempo.
Em 1992, Francis Fukuyama, filósofo americano, previa O Fim da História  com a queda do muro de Berlim e o consequente desmoronamento do comunismo. Mas antes, na década de 1930, G.K. Chesterton, com seus 140 quilos de bom humor e incomparável ironia, enfrentou feras como Bernard Shaw, Sigmund Freud e Karl Marx, desmontando o racionalismo irracional  e a precariedade das ideologias supostamente transformadoras do mundo. Seu argumento — incontestável por sua singeleza natural — era de que tudo decorrera da queda do ser humano, expulso do Paraíso. O troglodita paradisíaco revoltara-se, por sua desobediência perdeu o Éden e transviou-se na administração do mundo.
Assim, por que caminhos esse novelesco homo sapiens tecnológico está levando o mundo? O atual é isso, esse espetáculo mais ou menos dantesco a que somos obrigados a assistir diariamente através da nossa supermídia.  Pessoas atazanadas pela violência, governos desgovernados, nações sob o domínio uma das outras, as mais fortes e agressivas dominando. Um ditador na Síria que persiste em impor sua ideologia, apoiado por outra  ideologia reincidente. Enquanto do outro lado do mundo um homenzinho, quase trigueiro, segura seus governados pela rédea da opressão e desafia explodir boa parte do globo. Em contradita, o homem forte do continente americano brande sua potência com armas mortíferas.
Nós outros não já vimos esse filme? Ocorre que não se trata de filme, é o desfibramento de um olhar, é o alardear de ideias e propósitos extemporâneos, aquele desejo insano de querer salvar o mundo com os pés e não com as mãos, pensando com as tripas e não com a razão natural. Por que não sentam à mesa e negociam? Por que esbravejam e não utilizam o salvo conduto da razão e da diplomacia?  
Simples, porque nossos atuais terráqueos parecem aferrados a uma espécie de prisão funcional, de cuja porta de saída esqueceram as chaves.
E o futuro — o que nos espera? Um cientista, supostamente  superinteligente já criou um robô que só falta mesmo pensar, mas retransmite tudo que seu criador quiser dizer (e fazer?). Desvirtuando toda engenharia da genética natural, os gramiscianos já conseguiram acabar com  o sexo, agora se chama gênero  e não é nascido, mas escolhido a bel prazer pelo infeliz portador.
Manuel Bandeira — aquele poeta recifense autor e criador da simplicidade  natural na poesia, num de seus repentes poéticos magistrais, reservou para si o direito de escafeder desse nosso meio ainda tupiniquim — “Vou me embora pra Passárgada, lá eu sou amigo do Rei.”
Ah, meu caro poeta, se V.Sa. vivo fosse e visse o mundo atual e o que se propõe suceder, não iria para lugar tão imagístico como Passárgada — demandaria correndo para Marte ou Júpiter, quiçá um exoplaneta fora da Via Láctea.
CDL/Bsb, 26.04.18




quinta-feira, 22 de março de 2018


REFLEXÕES  QUARESMAIS




Os cristãos católicos no mundo todo se preparam para celebrar o tempo litúrgico da Quaresma, também nosso País. Segundo a liturgia católica é o período em que os professantes devem aderir à conversão, procedimento  que de si implica a presunção do aumento  e manutenção da fé em Jesus Cristo, da parte do rebanho de fiéis que o consideram o Salvador da humanidade pelo sacrifício de sua crucifixão.  A Quaresma recorda o terrível suplicio do Mestre da Galiléia, perante o Sinédrio e o julgamento presidido por Pilatos, e, na sequência dos fatos, celebra como Ele venceu a morte, mediante a fantástica ocorrência da Ressurreição e Sua não menos fantástica aparição, depois, entre os discípulos estarrecidos.
Enquanto os fiéis se submetem a esse aprofundamento de fé no Filho de Deus feito Homem, nosso mundo se engolfa  numa avalanche de ocorrências, ocorrências essas que não só envolvem  o orbe todo, como em especial nosso sofrido torrão natal, com o desenrolar de outros tantos acontecimentos e  problemas que deles resultam ou são por eles gerados, num verdadeiro círculo vicioso de circunstâncias, ora execráveis, ora de importância significativa. Se por um lado tais ocorrências nos estarrecem, por outro lado nos sevem de alerta e também motivo para sobre elas fazermos  nossas reflexões.
Acode-nos em primeiro lugar a morte do astrofísico e professor emérito da Universidade de Cambridge, Stephen Hawking, o famoso descobridor dos buracos negros no Cosmo, defensor acérrimo da chamada Teoria do Tudo e outros teorias excêntricas, como a das Cordas, assim como os não menos estapafúrdios buracos de minhoca. O físico inglês sofria há mais de cinquenta anos de uma doença degenerativa, de consequências fatais, mas que se prolongou miraculosamente durante tanto tempo, graças à avançada tecnologia nele aplicada e desenvolvida. O cientista escreveu vários livros sobre temas ligados à astrofísica, mas sua vida extinguiu-se, como uma vela, diante dos grandes dilemas científicos que se propôs enfrentar e que jamais conseguiu solucioná-los, nem podia fazê-lo, por absoluta impossibilidade de o ser humano, adentrar os mistérios da  Eternidade e Transcendência de Deus, o Criador do Universo.
E na sequência dos fatos que sucedem à luz desse período quaresmal, de oração e penitência, comentamos nos cinemas uma fita — certamente em razão da própria Quaresma — cuja temática gira nada menos que sobre a vida de Maria Madalena, quem primeiro testemunhou a Ressurreição de Cristo, ao aportar bem cedo ao túmulo onde jazia o corpo do Salvador, de quem ouviu a  enigmática frase Noli mi tangere, não me toques, pois, disse Ele, “não havia subido até o Pai.” O filme tem o título de Maria Madalena , é dirigido pelo cineasta  Garth Davis, o papel de Jesus dado ao ator americano Joaquim Phoenix ( o mesmo que interpretou um imperador tresloucado no filme O Gladiador). Rooney Mara interpreta Madalena, com boa e convincente interpretação, o que não o fêz Phoenix, dando a Jesus uma voz rouca, com aparência extremamente simplória, para não dizer medíocre. O roteiro coube a duas mulheres Helen Edmundson e Phlippa Goslett, as quais, com forte insinuações feministas e ideológicas, impuseram ao filme uma narrativa descontextualizada dos Evangelhos, que, de certo modo, desvaloriza a personalidade de Jesus e, a nosso ver, tampouco enriquece a de Madalena, pois não apaga sua condição de prostituta arrependida, como lhe impinge a narrativa dos Evangelistas. O que mais desmerece no filme é que seus realizadores na verdade omitiram os episódios mais importantes da vida de Jesus, no seu Ministério, tais como o Sermão da Montanha, a realização da Páscoa e das significativas palavras que entronizaram a Eucaristia, a Ressurreição e o fantástico momento da Ascensão do Senhor. Em razão disso, o filme restou pobre, com narrativa arrastada e sem grande motivação.
Enquanto isso, assistimos nos dias que correm o tumulto decorrente do recente assassínio brutal de uma Vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, de cujo fato tem se aproveitado o ativismo político ideológico auxiliado pela mídia sensacionalista. Demonstração patente de quanto nos afastamos dos ensinamentos do Mestre, em especial os pobres habitantes desta Terra Papagalis, inculta, mas ainda assim bela, obrigada a se espelhar numa modernidade antropofágica e volúvel.
Haja coração, fígado, nervos e estômago para digerir tanta desvario, incompreensão e irracionalidade. A essa altura, o Ressuscitado, egresso do tumulo, há de dizer, perplexo, aos homens do mundo: Noli mi tangere, pois ainda não subi ao Pai.  
                                                                                Bsb, 22.03.18


quinta-feira, 1 de março de 2018



O SUSTENTÁVEL  PESO  DO  MAL







Nestes dias tumultuados, assalta-nos uma questão: Por que o Mal tem vicejado tanto em nosso País? Por que há mal no mundo? E o que é afinal esse Mal, a quem ele aproveita? A literatura inspira o Mal ou é o Mal que tem na literatura sua maior inspiração? Afinal por que Deus permite o Mal no mundo?
Na literatura, o Mal parece  ter ganho os louros de vencedor, ocupa o panteão dos epítetos heroicos. O Mal contamina toda a obra literária e “... se permitirmos que ele condene, por contaminação, tudo em que encosta, então nada se salvará no universo humano.”  Quer dizer — em palavras claras — que o universo literário e, por extensão, todo o projeto civilizatório encontra-se eivado do Mal, o que in extensis não deixa de ser um absurdo. A informação consta de recente artigo da revista Veja, edição 2571, de 28.02.18, título do artigo “A Literatura e o Mal”, o autor o sr. José Francisco Botelho.
Nós, a vida, o mundo, somos todos refém do Mal? Não é bem assim. A opinião do articulista é muito superficial, aliás, como o é toda mídia, pelo menos a brasileira.
Reflitamos um pouco sobre esse pavoroso Mal ao qual nós somos supostamente refém. Consultemos os eruditos. Para Aristóteles (384-22 a.C), o Bem é equivalente à felicidade, portanto prevalece sobre o Mal. Deriva da ação racional do homem, o pensar a essência da natureza deste. A Virtude integra a ação humana, considerada  seu  meio termo, o justo equilíbrio. Portanto, o Mal seria o desequilíbrio da ação humana, ou uma ação irracional, dessencializada do ser.
Já os epicuristas, adeptos do prazer, ligavam o Mal a uma dor do corpo e do espírito, devia ser evitada, como um desprazer. Na Idade Média, Santo Agostinho (354-430), seguindo a Patrística aristotélica, afirmou que o Mal era o “não-ser”, o contrário do Bem, sendo este a essência do Ser. São Tomás de Aquino (1226-1274), o maior expoente da Patrística, atualizou a concepção aristotélica agostiniana para pontificar que o Mal resultava dos atos humanos e também das coisas. O Mal seria a privação do Bem, mas a Vontade capaz de controlar os atos humanos.
Com ao advento da Reforma Protestante, figuras como Leibniz (1646-1716) e Immanuel Kant (1724-1804), modificaram um pouco essa propedêutica do Mal. Leibniz entendia que o Mal contribuiu para o grau de perfeição das criaturas, contribuindo para a plenitude do Bem. Ademais, o Mal resultaria do trabalho de Deus na construção do Melhor Mundo Possível. De sua vez, Kant aprofundou o conceito do Mal em termos ético-políticos e filosóficos. O Mal sinaliza uma vontade maligna, espécie de poder maléfico universal inerente à natureza. Manifesta-se de forma clara, sem neutralidade na natureza. É ausência do Bem ou sua transgressão. A essência do Mal o somatório da oposição, transgressão e perversão do Bem. Schelling (1775-1854), com seu idealismo transcendental, defende que o Bem e o Mal são predicados das ações humanas e o Mal se relaciona com a vontade humana. Hegel (1770-1831), autor de Fenomenologia do Espírito, expende que o Mal é escolha do homem e decorre de pulsão ou desejo dele, em função de sua visão do mundo. Assim, o Mal é uma atitude de desrazão, também configurando uma transgressão da norma jurídica.
Modernamente, o Mal tem sido objeto de conceitos mais atualizados. Na ética protestante de Paul Ricouer (1923-2005), o Mal desafia a filosofia e a teologia. Como o Criador, Deus enraíza Nele o próprio Mal. Denis Resenfeld (1956) considera o Mal contrário ao Bem, os dois  Mal e Bem simetricamente relacionados — um dependendo do outro. Jean Baudrillard (1929-2007), o mais pessimista de todos em nossa análise, viraliza nos seus escritos e palestras — o Mal é capaz de mover o mundo, pois é encantador, sedutor. Não é moral, e de tal ordem constitutivo que permite criar paraísos artificiais do consenso.
Vê-se que o Mal não é tão simples assim. Os analistas revelam que o Mal é inerente ao ser do homem, representa seu lado negativo, constitutivo, mas controlável pela vontade racional.
Portanto, o Mal existe no mundo, é condicionante da natureza humana, embora o agir esteja sujeito sempre ao crivo da razão. Deus não deseja o Mal para o mundo, sua excelsa criação — tampouco como ação reivindicatória ou de vendeta moral ou moralizante. Mas permite que ele, o Mal, permeie o mundo e as coisas nele constitutivas, para que o ser humano, por seu livre arbítrio, saiba espelhar sua vida e conduzi-la no mundo, não na negritude da noite, mas na claridade do dia, e assim reconheça o autêntico sentido da vida — que é conciliar-se com o lado sagrado da existência. Sobre o que acontece atualmente no mundo, diremos que, à medida que os seres humanos se afastam do sagrado, substituindo-o pelo materialismo em suas ações desconstrutivistas, o Mal se imporá, com suas ideologias e as pessoas, seduzidas, perdem o verdadeiro sentido do ser — afogam-se no vazio do não-viver.
Quanto à literatura, entendemo-la como arte e criação essencialmente humanas, devendo também pautar-se por esses parâmetros da virtude. Nas letras, é preferível  mantê-las iluminadas  do que conduzi-las pela negritude da escuridão na preferência dos leitores.
CDL/BSB, 1.03.18
                                                      


terça-feira, 16 de janeiro de 2018



O MULTIVERSO E A VISÃO CRÍSTICA DO UNIVERSO


No drama shakespeariano “Hamlet”, Ato 1, cena III, o personagem Hamlet diz a seu amigo Horácio: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha tua filosofia.” Parece que nossos cientistas, os físicos principalmente, querem levar isso muito além do pé da letra, transbordando inclusive para além da própria filosofia e se esforçam por tornar realidade o que é irreal.  
Todos sabemos quão ilusórias e apressadas têm se tornado as elucubrações científicas, sobretudo nas áreas da biologia, psicologia e cosmologia, a partir da própria visão evolucionista de Darwin, a que se apoiou o próprio Freud com seu psicologismo racionalizante. Em biologia, eis um Richard Dawkins que nos impinge um tal genes egoísta para explicar a luta de classe evolucionista em que a célula humana pratica, espécie de vale tudo para a sobrevivência humana, dai sua justificativa porque os seres humanos são violentos, aéticos e imperfeitos por constituir sua própria natureza.
A partir de 1952, devido a uma palestra realizada em Dublin, o físico Erwin Schröedin referiu pela primeira vez a suposta existência do multiverso, ou seja, da possibilidade de em vez de um, existirem na realidade vários. Cientistas logo vêm abraçando essa ideia, até que, mais recentemente, em 2015 um certo astrofísico afirmar ter encontrado evidências, após o Big Bang, de ser possível essa possibilidade cósmica. Eis que Ranga-Ram Chary, ao analisar o espectro da radiação cósmica, assegura ter encontrado sinal dessa evidência numa explosão 4.500 mais intensa que as demais, com base em prótons e elétrons. Foi o bastante para alguns cientistas abraçarem a hipótese da ocorrência de outras colisões, além do Big Bang. Logo físicos como Max Tegmark e Brian Greene aproveitaram a deixa para formularem a teoria da existência dos chamados multiversos ou cada tipo de universo nele incluído.
De sua vez, Brian Greene propôs existirem 9 tipos de universos paralelos: o acolchoado, o inflacionário, membrana, o cíclico, paisagem, o quântico, o holográfico, o simulado e o final. Cada qual com especificação própria, ou seja, um colchão, o distributivo, o envolvido numa membrana, o com membranas múltiplas, o que depende dos espaços que usa, aquele capaz de gerar outro universo, o existente num espaço informativo, por fim o que pode ser matematicamente possível. 
É certo que essa fantástica teoria não teve o apoio de outros cientistas, dentre os quais, Paul Davis em seu livro A Breve História do Multiverso. Também George Ellis em seu artigo na Scientific American, O Multiverso realmente existe?
Essa teoria não é uma proposta simplória. Outras a acompanham ou com ela têm implicações, como a chamada Teoria das Cordas, dos Buracos Negros e do Buraco de Minhoca, as últimas formuladas por Stephen Hawking, o celebrado físico número um da modernidade.
Todas essas teorias, com suas formulações esdrúxulas, segundo seus apoiadores têm um único e absoluto propósito: explicar o inexplicável. É uma espécie de fisiologismo cosmológico querer, como se diz popularmente, tirar leite de pedra. Disse-o bem o também físico e erudito  Wolfgang Smith em sua última obra editada no Brasil, que chega a ponto de satanizar a tal teoria do Big Bang, por ser absolutamente contrária ao princípio bíblico, que ele considera  inatacável, inclusive explicando porquê.
Se tais teorias ainda não encontram até mesmo a certificação técnica e científica e que o próprio Big Bang não é a última palavra, por gerar dúvidas, como aceitar especulações extravagantes quando podemos simplesmente acreditar no que preconiza o Gênese Bíblico: “1. No princípio, Deus criou os céus e a terra.”?
Aliás, seria bom e extremamente racional recordar as palavras sábias de um grande erudito francês, Montesquieu, quando escreveu: “O homem que não é nada, procura, por sua fraqueza e incapacidade, sondar os mistérios de Deus, mas ali não encontra nada em que se apoiar.”
Quem ousará compreender e desvendar os mistérios da eternidade, Deus que criou todas as coisas inclusive o universo, o multiverso, e demais fantásticos quejandos que compõem o Cosmo?              

                                                                            Bsb, 16.01.18

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



                             LIBELO    NATALINO
               

                                     Murilo Moreira Veras





Os caminhos deste mundo são cada vez mais difíceis e imperfeitos.

– Que este Natal nos indique o melhor caminho.

A Natureza responde violentamente quando agredida  pelos humanos.

– Que este Natal propicie sempre a harmonia entre todos os seres e criaturas.

Em nosso País imperam o desacerto e a intemperança.

– Que o Natal nos dê mais equilíbrio no fazer e conviver.

Os brasileiros  nos comprazemos hoje em combater  o mau combate.

Injustiça e ideologia permeiam nossos campos de ação

– Que o Natal dê às pessoas mais tirocínio, liberdade e compreensão.

Os corações humanos se desumanizam cada vez mais de ódio contaminados.

– Que o Natal, em vez do rancor, lhes infunda equilíbrio, doçura e união.

Os juízos são cada vez mais incertos, desconexos e impudicos.

– Que o Natal nos advirta contra os desvios de sermos injustos no conviver.

Intransigência, divergências, violência e improbidade: eis os parâmetros aéticos de hoje.

– Que o Natal prodigalize mais certeza e tirocínio: não somos trogloditas,  perdidos na escuridão.


Eis o nosso libelo natalino mais reparatório: se atendido, o mundo talvez fique melhor, um lugar ainda possível,  onde se possa viver e amar.                                 

                                                                                  Natal, 2017