segunda-feira, 21 de maio de 2018





O LEGADO DE D. PEDRO II EM PERSPECTIVA










Praticamente às portas das eleições, o retrato do País não apresenta situação das mais auspiciosas, no consenso internacional. Claro que há países em pior estado, dispensável até mencionar quais, por óbvio. Em termos geopolíticos, o mundo parece se equilibrar em corda bamba, com vicissitudes em toda parte, mas com certo grau de suportabilidade.
E nosso País, ousará vencer suas diferenças educacionais, econômicas, políticas, enfim acertar os passos e alinhar-se entre os desenvolvidos, sobretudo sair do atraso devido a corrupções endêmicas, que desmoralizam nossas instituições, a corroer-lhes os alicerces?
Se tivermos a curiosidade de auscultarmos nossa história, mesmo a oficial, teremos a surpresa de verificar que o Brasil, no passado não muito remoto, já viveu tempos de “prosperidade e progresso” — e acreditem se quiserem — não foi na República, essa vigente desde 1889, proclamada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, mas, sim, no Império. Sim, no suposto “Velho Império”, aquele que o espírito modernista revolucionário chamava de ultrapassado e que ousaram derrubar em 1888, substituindo-o pela decantada, mas praticamente inócua República dos positivistas maçons.
E sabem a quem se atribuía esse extenso período de prosperidade e progresso, espécie de “idade do ouro” do Brasil? Nada menos que sob o governo de D.Pedro II, o Imperador do Brasil, que administrou o País de 1831 a 1889, sua gestão iniciada quando tinha apenas 14 anos de idade. Foi drasticamente deposto naquela última data por militares republicanos, insatisfeitos com o regime, apesar do grande prestígio do Imperador junto ao povo. Era um governante modesto, benevolente, mas culto e diligenciador, preocupado com o bem-estar do povo. Com o tempo e em virtude da grande injustiça de que foi vítima, sua expulsão e de sua família em 1889, obrigando-os a se exilarem na França, passou a ser considerado o maior brasileiro de nossa história, verdadeiro símbolo nacional.
O próprio Rui Barbosa — por sinal um dos que apoiou o banimento do Império — em discurso no Senado, em 1914, assim se referiu ao doloroso affaire: “A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal de nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo o nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.”
Por sua vez, a historiadora Lília Moritz Schwarcz revela que ele, o Imperador Pedro II, transformou-se num mito. José Murilo de Carvalho, historiador pernambucano validou a notável figura do Imperador: “... pela longevidade de seu governo e as transformações ao longo de seu curso, nenhum outro chefe de Estado marcou mais profundamente a história da nação.”
Enquanto isto, a República positiva dos militares maçônicos, sob o tacão inglês, com seu apanágio de reformismo e progresso, desde os primeiros passos que arrebataram o poder do tirocínio do velho, mas erudito Imperador, erodiram a nação com medidas atabalhoadas, ao longo do tempo a República desvalorizada pela maioria da população, menos pelo crédito dado a democracia nascente e mais pela impopularidade de seus discípulos tributários. Certamente pelos desacertos e o demérito de quantos sucederam o Marechal Deodoro da Fonseca, que nunca conseguiu superar a traição cometida contra o amigo de infância e escola Pedro II.
Indagamos hoje. A que se atribuem os contínuos desacertos, os imbróglios sócioeconômicos, e demais ineficácias dos governos republicanos brasileiros na consecução do progresso e na melhoria do bem-estar do povo?
Por que os brasileiros somos um povo incrédulo politicamente, nossa moral é tão baixa, descremos tanto da política quanto da justiça e das instituições, ainda frágeis, a burocracia nos prejudicando a vida? Chegamos a descrer até de nossa capacidade de ser livres e independentes.
Por que somos desrespeitosos para com nossos ícones históricos, descuramos de nossos deveres, enquanto paradoxalmente nos rejubilamos de sermos pessoas cordiais naquela perspectiva do homem cordial  de Sérgio Buarque de Holanda, constante do livro Raízes do Brasil de 1936? Não seria o chamado “jeitinho brasileiro” , aquela atitude de o brasileiro olhar as coisas, sair-se bem em tudo, sempre querendo burlar o outro? Isso que fez o Presidente Barack Obama chamar o então presidente Lula, em visita aos States de: “You are the Guy!” – você é o cara! Na gíria americana, o safado, o cafajeste.
Por que o brasileiro é assim, supostamente cordial até para com sua Mãe-Pátria? Com a devida vênia é porque falta ao brasileiro um valor a que respeitar, um governo consciente, não tem um ícone, um brasão, uma figura na qual deposite sua fé pública, um símbolo inconteste de sua Pátria. Por isso, o brasileiro é uma pessoa errática, sem fé, principalmente com relação à coisa pública, à cidadania, moral e caráter suscetíveis ao erro.
Por esses dias assistimos ao show de virtuosidade que foi o casamento real do casal Harry e Meghan, o fervor com que o povo acolhia o cerimonial com toda sua pompa — fato muito diferente de nosso carnaval. Então nos lembramos de quanto nos faz falta uma realeza, um valor acima de nossas frivolidades cartoriais. Sim, falta-nos uma figura icônica, a de um Rei, uma Rainha como Elizabete II ou um Imperador como D. Pedro II. Vêm-nos à baila os 60 anos de prosperidade e progresso de nosso velho ícone nacional D. Pedro II.
Será que, sob o signo de um reinado ou império não estaríamos livres dos horrores que hoje protagonizamos no País? É a pergunta que não nos deixa calar.  
                                                                  Bsb, 22.05.18





quarta-feira, 25 de abril de 2018




O MUNDO ATUAL E O QUE SERÁ DEPOIS












         
Em 1964, o escritor e padre João Mohana publicou O Mundo e Eu , em cujo livro ele apresenta sua visão do mundo à época, com críticas ácidas, sob a perspectiva da fé católica. Hoje, decorridos 54 anos — o autor de há muito falecido — os desacertos da nossa civilização continuam os mesmos, parece até que reforçados com o passar do tempo.
Em 1992, Francis Fukuyama, filósofo americano, previa O Fim da História  com a queda do muro de Berlim e o consequente desmoronamento do comunismo. Mas antes, na década de 1930, G.K. Chesterton, com seus 140 quilos de bom humor e incomparável ironia, enfrentou feras como Bernard Shaw, Sigmund Freud e Karl Marx, desmontando o racionalismo irracional  e a precariedade das ideologias supostamente transformadoras do mundo. Seu argumento — incontestável por sua singeleza natural — era de que tudo decorrera da queda do ser humano, expulso do Paraíso. O troglodita paradisíaco revoltara-se, por sua desobediência perdeu o Éden e transviou-se na administração do mundo.
Assim, por que caminhos esse novelesco homo sapiens tecnológico está levando o mundo? O atual é isso, esse espetáculo mais ou menos dantesco a que somos obrigados a assistir diariamente através da nossa supermídia.  Pessoas atazanadas pela violência, governos desgovernados, nações sob o domínio uma das outras, as mais fortes e agressivas dominando. Um ditador na Síria que persiste em impor sua ideologia, apoiado por outra  ideologia reincidente. Enquanto do outro lado do mundo um homenzinho, quase trigueiro, segura seus governados pela rédea da opressão e desafia explodir boa parte do globo. Em contradita, o homem forte do continente americano brande sua potência com armas mortíferas.
Nós outros não já vimos esse filme? Ocorre que não se trata de filme, é o desfibramento de um olhar, é o alardear de ideias e propósitos extemporâneos, aquele desejo insano de querer salvar o mundo com os pés e não com as mãos, pensando com as tripas e não com a razão natural. Por que não sentam à mesa e negociam? Por que esbravejam e não utilizam o salvo conduto da razão e da diplomacia?  
Simples, porque nossos atuais terráqueos parecem aferrados a uma espécie de prisão funcional, de cuja porta de saída esqueceram as chaves.
E o futuro — o que nos espera? Um cientista, supostamente  superinteligente já criou um robô que só falta mesmo pensar, mas retransmite tudo que seu criador quiser dizer (e fazer?). Desvirtuando toda engenharia da genética natural, os gramiscianos já conseguiram acabar com  o sexo, agora se chama gênero  e não é nascido, mas escolhido a bel prazer pelo infeliz portador.
Manuel Bandeira — aquele poeta recifense autor e criador da simplicidade  natural na poesia, num de seus repentes poéticos magistrais, reservou para si o direito de escafeder desse nosso meio ainda tupiniquim — “Vou me embora pra Passárgada, lá eu sou amigo do Rei.”
Ah, meu caro poeta, se V.Sa. vivo fosse e visse o mundo atual e o que se propõe suceder, não iria para lugar tão imagístico como Passárgada — demandaria correndo para Marte ou Júpiter, quiçá um exoplaneta fora da Via Láctea.
CDL/Bsb, 26.04.18




quinta-feira, 22 de março de 2018


REFLEXÕES  QUARESMAIS




Os cristãos católicos no mundo todo se preparam para celebrar o tempo litúrgico da Quaresma, também nosso País. Segundo a liturgia católica é o período em que os professantes devem aderir à conversão, procedimento  que de si implica a presunção do aumento  e manutenção da fé em Jesus Cristo, da parte do rebanho de fiéis que o consideram o Salvador da humanidade pelo sacrifício de sua crucifixão.  A Quaresma recorda o terrível suplicio do Mestre da Galiléia, perante o Sinédrio e o julgamento presidido por Pilatos, e, na sequência dos fatos, celebra como Ele venceu a morte, mediante a fantástica ocorrência da Ressurreição e Sua não menos fantástica aparição, depois, entre os discípulos estarrecidos.
Enquanto os fiéis se submetem a esse aprofundamento de fé no Filho de Deus feito Homem, nosso mundo se engolfa  numa avalanche de ocorrências, ocorrências essas que não só envolvem  o orbe todo, como em especial nosso sofrido torrão natal, com o desenrolar de outros tantos acontecimentos e  problemas que deles resultam ou são por eles gerados, num verdadeiro círculo vicioso de circunstâncias, ora execráveis, ora de importância significativa. Se por um lado tais ocorrências nos estarrecem, por outro lado nos sevem de alerta e também motivo para sobre elas fazermos  nossas reflexões.
Acode-nos em primeiro lugar a morte do astrofísico e professor emérito da Universidade de Cambridge, Stephen Hawking, o famoso descobridor dos buracos negros no Cosmo, defensor acérrimo da chamada Teoria do Tudo e outros teorias excêntricas, como a das Cordas, assim como os não menos estapafúrdios buracos de minhoca. O físico inglês sofria há mais de cinquenta anos de uma doença degenerativa, de consequências fatais, mas que se prolongou miraculosamente durante tanto tempo, graças à avançada tecnologia nele aplicada e desenvolvida. O cientista escreveu vários livros sobre temas ligados à astrofísica, mas sua vida extinguiu-se, como uma vela, diante dos grandes dilemas científicos que se propôs enfrentar e que jamais conseguiu solucioná-los, nem podia fazê-lo, por absoluta impossibilidade de o ser humano, adentrar os mistérios da  Eternidade e Transcendência de Deus, o Criador do Universo.
E na sequência dos fatos que sucedem à luz desse período quaresmal, de oração e penitência, comentamos nos cinemas uma fita — certamente em razão da própria Quaresma — cuja temática gira nada menos que sobre a vida de Maria Madalena, quem primeiro testemunhou a Ressurreição de Cristo, ao aportar bem cedo ao túmulo onde jazia o corpo do Salvador, de quem ouviu a  enigmática frase Noli mi tangere, não me toques, pois, disse Ele, “não havia subido até o Pai.” O filme tem o título de Maria Madalena , é dirigido pelo cineasta  Garth Davis, o papel de Jesus dado ao ator americano Joaquim Phoenix ( o mesmo que interpretou um imperador tresloucado no filme O Gladiador). Rooney Mara interpreta Madalena, com boa e convincente interpretação, o que não o fêz Phoenix, dando a Jesus uma voz rouca, com aparência extremamente simplória, para não dizer medíocre. O roteiro coube a duas mulheres Helen Edmundson e Phlippa Goslett, as quais, com forte insinuações feministas e ideológicas, impuseram ao filme uma narrativa descontextualizada dos Evangelhos, que, de certo modo, desvaloriza a personalidade de Jesus e, a nosso ver, tampouco enriquece a de Madalena, pois não apaga sua condição de prostituta arrependida, como lhe impinge a narrativa dos Evangelistas. O que mais desmerece no filme é que seus realizadores na verdade omitiram os episódios mais importantes da vida de Jesus, no seu Ministério, tais como o Sermão da Montanha, a realização da Páscoa e das significativas palavras que entronizaram a Eucaristia, a Ressurreição e o fantástico momento da Ascensão do Senhor. Em razão disso, o filme restou pobre, com narrativa arrastada e sem grande motivação.
Enquanto isso, assistimos nos dias que correm o tumulto decorrente do recente assassínio brutal de uma Vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, de cujo fato tem se aproveitado o ativismo político ideológico auxiliado pela mídia sensacionalista. Demonstração patente de quanto nos afastamos dos ensinamentos do Mestre, em especial os pobres habitantes desta Terra Papagalis, inculta, mas ainda assim bela, obrigada a se espelhar numa modernidade antropofágica e volúvel.
Haja coração, fígado, nervos e estômago para digerir tanta desvario, incompreensão e irracionalidade. A essa altura, o Ressuscitado, egresso do tumulo, há de dizer, perplexo, aos homens do mundo: Noli mi tangere, pois ainda não subi ao Pai.  
                                                                                Bsb, 22.03.18


quinta-feira, 1 de março de 2018



O SUSTENTÁVEL  PESO  DO  MAL







Nestes dias tumultuados, assalta-nos uma questão: Por que o Mal tem vicejado tanto em nosso País? Por que há mal no mundo? E o que é afinal esse Mal, a quem ele aproveita? A literatura inspira o Mal ou é o Mal que tem na literatura sua maior inspiração? Afinal por que Deus permite o Mal no mundo?
Na literatura, o Mal parece  ter ganho os louros de vencedor, ocupa o panteão dos epítetos heroicos. O Mal contamina toda a obra literária e “... se permitirmos que ele condene, por contaminação, tudo em que encosta, então nada se salvará no universo humano.”  Quer dizer — em palavras claras — que o universo literário e, por extensão, todo o projeto civilizatório encontra-se eivado do Mal, o que in extensis não deixa de ser um absurdo. A informação consta de recente artigo da revista Veja, edição 2571, de 28.02.18, título do artigo “A Literatura e o Mal”, o autor o sr. José Francisco Botelho.
Nós, a vida, o mundo, somos todos refém do Mal? Não é bem assim. A opinião do articulista é muito superficial, aliás, como o é toda mídia, pelo menos a brasileira.
Reflitamos um pouco sobre esse pavoroso Mal ao qual nós somos supostamente refém. Consultemos os eruditos. Para Aristóteles (384-22 a.C), o Bem é equivalente à felicidade, portanto prevalece sobre o Mal. Deriva da ação racional do homem, o pensar a essência da natureza deste. A Virtude integra a ação humana, considerada  seu  meio termo, o justo equilíbrio. Portanto, o Mal seria o desequilíbrio da ação humana, ou uma ação irracional, dessencializada do ser.
Já os epicuristas, adeptos do prazer, ligavam o Mal a uma dor do corpo e do espírito, devia ser evitada, como um desprazer. Na Idade Média, Santo Agostinho (354-430), seguindo a Patrística aristotélica, afirmou que o Mal era o “não-ser”, o contrário do Bem, sendo este a essência do Ser. São Tomás de Aquino (1226-1274), o maior expoente da Patrística, atualizou a concepção aristotélica agostiniana para pontificar que o Mal resultava dos atos humanos e também das coisas. O Mal seria a privação do Bem, mas a Vontade capaz de controlar os atos humanos.
Com ao advento da Reforma Protestante, figuras como Leibniz (1646-1716) e Immanuel Kant (1724-1804), modificaram um pouco essa propedêutica do Mal. Leibniz entendia que o Mal contribuiu para o grau de perfeição das criaturas, contribuindo para a plenitude do Bem. Ademais, o Mal resultaria do trabalho de Deus na construção do Melhor Mundo Possível. De sua vez, Kant aprofundou o conceito do Mal em termos ético-políticos e filosóficos. O Mal sinaliza uma vontade maligna, espécie de poder maléfico universal inerente à natureza. Manifesta-se de forma clara, sem neutralidade na natureza. É ausência do Bem ou sua transgressão. A essência do Mal o somatório da oposição, transgressão e perversão do Bem. Schelling (1775-1854), com seu idealismo transcendental, defende que o Bem e o Mal são predicados das ações humanas e o Mal se relaciona com a vontade humana. Hegel (1770-1831), autor de Fenomenologia do Espírito, expende que o Mal é escolha do homem e decorre de pulsão ou desejo dele, em função de sua visão do mundo. Assim, o Mal é uma atitude de desrazão, também configurando uma transgressão da norma jurídica.
Modernamente, o Mal tem sido objeto de conceitos mais atualizados. Na ética protestante de Paul Ricouer (1923-2005), o Mal desafia a filosofia e a teologia. Como o Criador, Deus enraíza Nele o próprio Mal. Denis Resenfeld (1956) considera o Mal contrário ao Bem, os dois  Mal e Bem simetricamente relacionados — um dependendo do outro. Jean Baudrillard (1929-2007), o mais pessimista de todos em nossa análise, viraliza nos seus escritos e palestras — o Mal é capaz de mover o mundo, pois é encantador, sedutor. Não é moral, e de tal ordem constitutivo que permite criar paraísos artificiais do consenso.
Vê-se que o Mal não é tão simples assim. Os analistas revelam que o Mal é inerente ao ser do homem, representa seu lado negativo, constitutivo, mas controlável pela vontade racional.
Portanto, o Mal existe no mundo, é condicionante da natureza humana, embora o agir esteja sujeito sempre ao crivo da razão. Deus não deseja o Mal para o mundo, sua excelsa criação — tampouco como ação reivindicatória ou de vendeta moral ou moralizante. Mas permite que ele, o Mal, permeie o mundo e as coisas nele constitutivas, para que o ser humano, por seu livre arbítrio, saiba espelhar sua vida e conduzi-la no mundo, não na negritude da noite, mas na claridade do dia, e assim reconheça o autêntico sentido da vida — que é conciliar-se com o lado sagrado da existência. Sobre o que acontece atualmente no mundo, diremos que, à medida que os seres humanos se afastam do sagrado, substituindo-o pelo materialismo em suas ações desconstrutivistas, o Mal se imporá, com suas ideologias e as pessoas, seduzidas, perdem o verdadeiro sentido do ser — afogam-se no vazio do não-viver.
Quanto à literatura, entendemo-la como arte e criação essencialmente humanas, devendo também pautar-se por esses parâmetros da virtude. Nas letras, é preferível  mantê-las iluminadas  do que conduzi-las pela negritude da escuridão na preferência dos leitores.
CDL/BSB, 1.03.18
                                                      


terça-feira, 16 de janeiro de 2018



O MULTIVERSO E A VISÃO CRÍSTICA DO UNIVERSO


No drama shakespeariano “Hamlet”, Ato 1, cena III, o personagem Hamlet diz a seu amigo Horácio: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha tua filosofia.” Parece que nossos cientistas, os físicos principalmente, querem levar isso muito além do pé da letra, transbordando inclusive para além da própria filosofia e se esforçam por tornar realidade o que é irreal.  
Todos sabemos quão ilusórias e apressadas têm se tornado as elucubrações científicas, sobretudo nas áreas da biologia, psicologia e cosmologia, a partir da própria visão evolucionista de Darwin, a que se apoiou o próprio Freud com seu psicologismo racionalizante. Em biologia, eis um Richard Dawkins que nos impinge um tal genes egoísta para explicar a luta de classe evolucionista em que a célula humana pratica, espécie de vale tudo para a sobrevivência humana, dai sua justificativa porque os seres humanos são violentos, aéticos e imperfeitos por constituir sua própria natureza.
A partir de 1952, devido a uma palestra realizada em Dublin, o físico Erwin Schröedin referiu pela primeira vez a suposta existência do multiverso, ou seja, da possibilidade de em vez de um, existirem na realidade vários. Cientistas logo vêm abraçando essa ideia, até que, mais recentemente, em 2015 um certo astrofísico afirmar ter encontrado evidências, após o Big Bang, de ser possível essa possibilidade cósmica. Eis que Ranga-Ram Chary, ao analisar o espectro da radiação cósmica, assegura ter encontrado sinal dessa evidência numa explosão 4.500 mais intensa que as demais, com base em prótons e elétrons. Foi o bastante para alguns cientistas abraçarem a hipótese da ocorrência de outras colisões, além do Big Bang. Logo físicos como Max Tegmark e Brian Greene aproveitaram a deixa para formularem a teoria da existência dos chamados multiversos ou cada tipo de universo nele incluído.
De sua vez, Brian Greene propôs existirem 9 tipos de universos paralelos: o acolchoado, o inflacionário, membrana, o cíclico, paisagem, o quântico, o holográfico, o simulado e o final. Cada qual com especificação própria, ou seja, um colchão, o distributivo, o envolvido numa membrana, o com membranas múltiplas, o que depende dos espaços que usa, aquele capaz de gerar outro universo, o existente num espaço informativo, por fim o que pode ser matematicamente possível. 
É certo que essa fantástica teoria não teve o apoio de outros cientistas, dentre os quais, Paul Davis em seu livro A Breve História do Multiverso. Também George Ellis em seu artigo na Scientific American, O Multiverso realmente existe?
Essa teoria não é uma proposta simplória. Outras a acompanham ou com ela têm implicações, como a chamada Teoria das Cordas, dos Buracos Negros e do Buraco de Minhoca, as últimas formuladas por Stephen Hawking, o celebrado físico número um da modernidade.
Todas essas teorias, com suas formulações esdrúxulas, segundo seus apoiadores têm um único e absoluto propósito: explicar o inexplicável. É uma espécie de fisiologismo cosmológico querer, como se diz popularmente, tirar leite de pedra. Disse-o bem o também físico e erudito  Wolfgang Smith em sua última obra editada no Brasil, que chega a ponto de satanizar a tal teoria do Big Bang, por ser absolutamente contrária ao princípio bíblico, que ele considera  inatacável, inclusive explicando porquê.
Se tais teorias ainda não encontram até mesmo a certificação técnica e científica e que o próprio Big Bang não é a última palavra, por gerar dúvidas, como aceitar especulações extravagantes quando podemos simplesmente acreditar no que preconiza o Gênese Bíblico: “1. No princípio, Deus criou os céus e a terra.”?
Aliás, seria bom e extremamente racional recordar as palavras sábias de um grande erudito francês, Montesquieu, quando escreveu: “O homem que não é nada, procura, por sua fraqueza e incapacidade, sondar os mistérios de Deus, mas ali não encontra nada em que se apoiar.”
Quem ousará compreender e desvendar os mistérios da eternidade, Deus que criou todas as coisas inclusive o universo, o multiverso, e demais fantásticos quejandos que compõem o Cosmo?              

                                                                            Bsb, 16.01.18

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



                             LIBELO    NATALINO
               

                                     Murilo Moreira Veras





Os caminhos deste mundo são cada vez mais difíceis e imperfeitos.

– Que este Natal nos indique o melhor caminho.

A Natureza responde violentamente quando agredida  pelos humanos.

– Que este Natal propicie sempre a harmonia entre todos os seres e criaturas.

Em nosso País imperam o desacerto e a intemperança.

– Que o Natal nos dê mais equilíbrio no fazer e conviver.

Os brasileiros  nos comprazemos hoje em combater  o mau combate.

Injustiça e ideologia permeiam nossos campos de ação

– Que o Natal dê às pessoas mais tirocínio, liberdade e compreensão.

Os corações humanos se desumanizam cada vez mais de ódio contaminados.

– Que o Natal, em vez do rancor, lhes infunda equilíbrio, doçura e união.

Os juízos são cada vez mais incertos, desconexos e impudicos.

– Que o Natal nos advirta contra os desvios de sermos injustos no conviver.

Intransigência, divergências, violência e improbidade: eis os parâmetros aéticos de hoje.

– Que o Natal prodigalize mais certeza e tirocínio: não somos trogloditas,  perdidos na escuridão.


Eis o nosso libelo natalino mais reparatório: se atendido, o mundo talvez fique melhor, um lugar ainda possível,  onde se possa viver e amar.                                 

                                                                                  Natal, 2017
                               
                                       
  



                                                         


quinta-feira, 16 de novembro de 2017



          O MENINO DOS ÓCULOS DE ARO DE METAL
             HOMENAGEM     PÓSTUMA

     


      Nestes tempos de afásica incerteza, onde vicejam a violência e a mediocridade — em boa hora a Cidade de Parnaíba, a Prefeitura e a Câmara Legislativa, uníssonas a outras vozes literárias, decidiram homenagear postumamente o escritor Everaldo Moreira Veras. No dia 13 deste o Prefeito do Município outorgou ao escritor o diploma de mérito municipal, na pessoa da viúva, em significativa solenidade. Everaldo Moreira Veras, assim, recebe a devida comenda honorífica por sua vida dedicada às letras — pelo que  posso informar durante mais de cinco  décadas ao ofício de escrever. Além da comenda, o escritor tem seu nome gravado em placa de rua na Cidade — e, o que é mais expressivo, uma sala de leitura infantil na Biblioteca Municipal, onde, agora, seus livros serão expostos à disposição dos leitores.
         A produção literária do autor é prolífica, tendo ele transitado praticamente em todos os gêneros com proficiência e espírito criativo, sua preocupação ser original e ter um olhar crítico intenso sobre as coisas da vida e do mundo, sempre a identificar o surrealismo da realidade, o que resta de bom e ruim no ser humano. Por fim, dialeticamente sublimar esse ser, não sob o crivo do “martelo de Deus” nietzschiano, mas de um humilde servo sob a fúria de Jeová, cujo sofrimento será resgatado pela obediência aos desígnios superiores.
        O capital literária de EMV ainda está por ser explorado, face as reflexões que suas obras sugerem, tanto do ponto de vista da “poética”, isto é, a estrutura e simbologias linguísticas de que estão impregnados, até certas facetas que implicam conceitos ontológicos, quando o autor explora a problemática do ser em face do existir, enquanto vislumbra a parte horrorífica da vida – um discurso que beira o niilismo e a insanidade, não ensejasse sua escritura incrível parecença com a nossa realidade, em desatino.
         Temos de parabenizar o ilustre Munícipe pela feliz iniciativa — feito, sem dúvida, que extrapola o próprio mérito da gestão em si, para se constituir valoração da própria Cidade de Parnaíba, berço, por sinal, de escritores de elite, de que fazem parte, por exemplo, Humberto de Campos Veras, Assis Brasil e Diogo Mendes Sousa  e certamente muitos outros.
          Everaldo Moreira Veras vem, pois, se juntar a essa plêiade de homens de letras, quando o nome do escritor passa a ser nome de rua e a Biblioteca Municipal acaba de inaugurar sala infantil e seus livros, os de gênero infantil, como esse “O Menino dos Óculos de Aro de Metal”, tomam lugar nas prateleiras aos do insigne mestre Monteiro Lobato e outros autores renomados, que militam nesse importante veio literário, ainda incipiente no Pais.

          Parabéns, Parnaíba que, com esse feito, demonstra ainda saber guardar e reviver uma obra como “O Menino dos Óculos de Aro de Metal” e assim evitar que seu autor  não se perca nos desvãos do esquecimento
CDL/Bsb.